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Delicada como um elefante

12
Jun18

Trabalho de parto

Bárbara

Cheguei às 40 semanas de gestação e nem uma contração ou 1 cm de dilatação. Dirigi-me ao hospital para se marcar indução para as 41 semanas.

A minha obstetra achava que o mais certo era precisar de cesariana pela posição da cabeça da bebé e pelo formato da minha bacia, mas, nessa consulta convenceram-me que devíamos tentar prova de trabalho de parto. Mesmo necessitando de cesariana era o melhor para a bebé. Passar pelo stress do parto prepara-os para a vida extra-uterina. Apesar de concordar com a parte científica da coisa, devo dizer que me senti pressionado e até desprezada por ter questionado se não era melho à partida cesariana. A enfermeira então foi duma falta de sensibilidade...

Lá continuei as caminhadas, as básculas da bacia, os agachamentos, as subidas de escadas e, um dia antes das 41 semanas, entrei em trabalho de parto.

Eram 2:30 e tive sensação de que precisava de defecar. Fui ao quarto de banho n vezes sem sucesso, até que me apercebi que era cíclico. Comecei a olhar para o relógio e fiquei espantada porque afinal aquilo eram as minhas contrações. Sabendo que as contrações têm muitas apresentações e, mesmo sendo médica, não contava que fossem assim. 

Esperei pela proximidade dos intervalos de 5 minutos para chamar o Luís e fomos para o hospital às 5:30.

Estava estranhamente calma e fui muito bem recebida na urgência por gente que me conhece tão bem.

Depois fui para a obstetrícia, fiz CTG e confirmou-se o trabalho de parto. Levei umas bocas da enfermeira pela hora... que o parto estava muito atrasado... eu sabia lá. Fui quando é recomendado, de 5 em 5 minutos.

Fui internada e ficamos à espera. As enfermeiras do internamento foram amorosas.

Passeie pelo hospital, fui ao meu serviço visitar as enfermeiras, conversei com os cirurgiões que estavam de urgência, fiz muitas piscinas nos corredores, exercícios com a bola e o trabalho de parto pouco evoluiua. Os intervalos não ficavam menores e a dilatação era mínima.

Já à hora de almoço colocaram-me o caterer epidural. Falarei da analgesia noutro post. 

Motive uma pequena rotura de membranas.

Às 18h só tinha 3 cm de dilatação e fui para o bloco de partos para induzirem e ver se andávamos com aquilo para a frente.

 

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De vez em quando a bebé desacelerava mas nada que preocupasse a parteira. 

Acabou por me romper as membranas, mais uma vez a ver se aquilo andava.

Fui algaliada que já tinham passado muitas horas e estava com dor por retenção urinária.

À meia noite comecei a ficar cansada e irritada. As obstetra, as parteiras e anestesistas conversaram comigo e propuseram cesariana. Era muito pouco provável que a bebé encaixasse e aceitei enquanto não eram emergente. 

Eu sabia que aquele desfecho era provável, mas depois de entrar em trabalho de parto, de ser induzida e de tanto tempo comigo a portar-me bem, fiquei desiludida e muito nervosa. Chorei com o abraço duma amiga que estava de urgência.

Entrei no bloco, no meu bloco, histérica. Tremia que nem perdida. Estava em casa mas ao mesmo tempo sabia o que é uma cirurgia. 

A equipa foi toda impecável. Viram que eu estava em pânico e conseguiram aguentar-se sem me gozar. Eu estava com tanta vergonha com aqueles tremeliques todos... Depois descobri que o meu tremor era da occitocina, pelo menos parcialmente. 

A bebé nasceu num instantinho e completamente bem. Por isso puderam mostrar-ma antes de sair da sala. Depois de vista pela neonatologista ainda pude pegar nela um bocadinho. Depois estivemos de ficar separadas porque eu fiquei no recobro que, infelizmente, não é específico de grávidas. Ficou quase 2h só com o pai. Dizem que a primeira meia hora é crucial para o sucesso da amamentação mas a logística montada não está de acordo.

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