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Delicada como um elefante

14
Mai18

Dar a notícia da gravidez

Bárbara

Habitualmente, as grávidas estão mortas por contar a notícia a toda a gente. Eu não estava, só à minha mãe a quem disse mal fizemos o teste. O Luís também contou à dele e eu ao meu pai e madrasta.

Apesar de quererem espalhar aos quatro ventos, por convenção social ou superstição, só contam na passagem do primeiro para o segundo trimestre, entre as 10 e 12 semanas. Discordo completamente. Biologicamente, a probabilidade de abortamento é maior nesse período, mas não é por contar a alguém que se vai abortar. Por outro lado, se se passar por essa dor, não se quererá apoio e por conseguinte que os amigos e familiares saibam? A pensar nisso, contei às minhas melhores amigas, futuras madrinhas da bebé. Nenhuma delas é mãe mas eu precisava de ir desabafando com alguém e elas costumam ser o meu saco de boxe.

Quando cheguei ao segundo trimestre, a minha mãe queria contar a toda a gente e o Luís aos amigos. Eu não queria. Sabem que mais? Não queria palpites. Na altura li um livro que não sei se me fez bem ou mal, mas influenciou-me muito. Fala sobre a culpa na maternidade: “A culpa não é sempre da mãe” de Sónia Morais Santos do blog “cocó na fralda”. 
 
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Lá deixei que a minha mãe contasse aos meus tios, que só me querem bem. O Luís contou aos amigos.
A partir daí só soube gente que notou ou que tinha de ser. Também não havia necessidade de mentir.
O primeiro foi o meu chefe. Ainda no primeiro trimestre, um dia senti-me mal e tive de ir para casa. Tive que lhe dar uma explicação. Ele é-me bastante querido. E guardou bem o segredo.

Depois outros amigos muito próximos apanharam-me no Ikea a comprar o berço. Fui ao batizado do filho de outros e no meio da conversa disse: - Já estou.

No trabalho, contei a alguns colegas da mesma geração para me ajudarem a evitar fazer noites. Outros ficaram a saber quando recusei ir para o bloco em cirurgias com radiação. Contei ainda ao meu antigo orientador antes que se notasse. Uma ou outra pessoa apanharam-me a sentir-me mal porque no segundo trimestre andava sempre hipotensa. Só sabia quem tinha mesmo de saber. 
Só quase no final do segundo trimestre é que deixou de dar para esconder. Eu sou magra e bastava usar T-shirts largas. A roupa do hospital era maravilhosa. As fardas nunca nos estão bem, sempre larguíssimas. E a bata por cima, desapertada, ainda disfarçava melhor. Nessa altura quis deixar de fazer noites oficialmente porque estava a começar a custar-me muito fazer 24h. Cheguei de férias depois de duas semanas e notou-se alguma diferença. Aí tentei antecipar-me e contar às pessoas com significado que ainda não sabiam. Escaparam-me duas, uma delas ainda deve estar chateada. 
A minha postura não foi convencional e eu sei que a maioria das pessoas só me quer bem pelo que poderiam ter sabido. Algumas até ficaram envergonhadas por não notar, principalmente no trabalho. Que médico ou enfermeiro não repara que uma mulher está grávida de 6 meses? Coitados, não tiveram qualquer culpa. A minha fisionomia, a barriga até então não muito grande e a minha vontade de ser discreta é que foram favoráveis.

 

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