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Delicada como um elefante

06
Jul18

Analgesia no parto

Bárbara

No post que vos falei do trabalho de parto, excluí a analgesia para fazer um post dedicado.

 

convertir-anestesista-en-gine-i-posar-interrogant-

 

Tenho a tentação de reduzir este post à epidural, mas achei outras coisas importantes:

1 - Estar preparada e informada. As aulas de preparação para o parto e parentalidade foram essenciais. Eu estive calmíssima e controlei muito bem a dor enquanto não tinha a epidural.

2 - A respiração resulta. Mais uma vez, valeu a pena fazer as aulas no centro de saúde. Além disso, fiz pilates durante a gravidez e a respiração estava interiorizada.

3 - Ter apoio. O Luís esteve sempre ao meu lado e calmo. Tinha feito quase todas as aulas comigo, pelo que também estava preparado.

4 - Manter a mobilidade. Dói muito mais se se estiver deitada. Andar de um lado para o outro e fazer exercícios, principalmente com a bola, aliviou muito a dor.

5 - Outros analgésicos. Prescreveram-me petidina mas acho que não fez grande efeito. Já quando tinha sido operada ao pé tinha feito e também não tinha sido eficaz. Acho que deve ser qualquer coisa com os meus receptores.

6 - Epidural. Começo por confessar que tenho pânico de agulhas. Estava cheia de vergonha de fazer figuras tristes perante um anestesista que trabalha comigo todos os dias. Felizmente, no dia em que tudo aconteceu estavam de urgência dois tarafeiros, ou seja, anestesistas de fora do hospital, então pude logo dizer que tinha medo. Eu entrei no hospital às 5:30 e não me puseram loho o cateter. Entretanto mudou o turno e acho que se esqueceram. Eu fui-me deixando estar até que a obstetra achou um absurdo eu continuar com dores sem necessidade e insistiu para que viessem. Era hora de almoço. Lá fui eu para a "forca" cheia de medo, mas o anestesista disse que me portei muito bem, ninguém diria que tinha medo. Claro que no fim de tudo ia desmaiando... Fizeram um bólus e fiquei sem dor. Lá para as 17h passou o efeito e as contrações passaram a incomodar muito mais porque já não estava habituada. Às 18h, passei para a sala de partos para porem a perfusão. Bem tinham dito que quanto mais se aguentasse melhor. Passei a ter de estar deitada e foi muito mais aborrecido. Como o trabalho de parto não evoluia grande coisa, demorou muito tempo e acabei com retenção urinária e a ter que ser algaliada. Nessa altura voltei a ter muita dor, mesmo sob a epidural. O cateter devia estar um pouco lateralizado e tinha dor à direita e bloqueio motor à esquerda. Mandavam virar-me para a direita e a bebé desacelarava. Comecei a stressar um bocado. Quando decidiram que ia para cesariana devia ter dito qualquer coisa mas estava tão nervosa que deixei passar. Antes da incisão o anestesista avisou que ia sentir incómodo da incisão e da manipulação uterina e eu interiorizei bem demais aquilo. Apesar de estar a ter dor, não disse nada e só quando estavam a encerrar a parede abdominal é que perguntei se faltava muito porque estava com dor. Nesse momento perceberam que a causa da minha hipotensão tinha sido a dor e que tinha uma "janela", ou seja, uma zona não anestesiada. Até hoje, tenho dor nesse sítio e já passaram 5 meses.

Depois disto passar toda a gente me dizia mas tu és médica, cirurgiã, como não percebeste? O cérebro de uma grávida fica mesmo afetado. Enquanto a bebé não estava cá fora e eu vi que estava bem, não achei relevante dizer nada. Gostava de dizer que para a próxima já sei, mas sei lá quão afetada vou estar...

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